Um país chamado Nordeste

A extensão territorial brasileira sempre foi uma barreira para a chegada de muitos produtos aos municípios do interior. Há cidades localizadas a centenas de quilômetros de distância dos grandes centros, o que inviabiliza a distribuição de certas marcas nesses lugares. Este problema, no entanto, começa a ser resolvido com a instalação de empresas em locais fora do eixo Rio – São Paulo.

A Danone, por exemplo, montou uma base em Recife. A diretoria da unidade tem autonomia para criar produtos exclusivos para o Nordeste e planejar ações de marketing locais. E foi somente depois da ida da empresa para esta região do país que os 70 mil moradores de Picos, a 320 quilômetros de Teresina, capital do Piauí, começaram a ver iogurtes da marca nas prateleiras dos supermercados.

Há outras empresas seguindo o mesmo caminho. Natura, Kraft e Kimberly-Clark também perceberam que a melhor maneira de conhecer seus clientes é se aproximando fisicamente deles. Viram que manter uma simples equipe de vendas no Nordeste não seria suficiente e decidiram montar estruturas de grande porte para atender à região. O processo é quase como entrar em um mercado novo e emergente, tamanhas as diferenças. Praticamente, um outro país.

Em muitos casos, para que a operação dê certo é preciso fazer adaptações. O Danoninho vendido no Nordeste tem poupa de fruta. Os perfumes da Natura são comercializados em embalagens menores. As empresas precisam identificar os hábitos de consumo locais para se adequarem a eles e garantir o sucesso dos negócios.

Nada disso, entretanto, pode servir como desestímulo. A ida destas empresas para o Nordeste traz inúmeros benefícios não só para a marca, mas também para a população local. São milhares de empregos gerados, novos serviços à disposição dos moradores, novas oportunidades. Os municípios se desenvolvem e crescem, fortalecendo a economia.

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